EU SOBREVIVI A UM ACIDENTE AÉREO

Todo piloto se questiona pelo menos uma vez na vida se um dia irá enfrentar algum acidente ou incidente aéreo. E minha sincera opinião, meus caros, é que este risco é inerente a nossa profissão. No entanto, levando-se em consideração o dia a dia de uma pessoa qualquer, é fato inquestionável que há várias outras atividades cotidianas que também nos expõem a algum risco.

Afinal, o que é mais seguro: andar de carro ou voar? No Brasil, o trânsito mata 12 vezes mais. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), 42 mil brasileiros morrem por ano em colisões, o mesmo número de todas as perdas em catástrofes aéreas somadas no últimos 85 anos.



E quais são as principais causas dos acidentes?

De acordo com dados do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o fator humano – que compreende o homem sob o ponto de vista biológico em seus aspectos fisiológicos e psicológicos -é, de longe, a principal causa dos acidentes. Subdividindo, temos 3 fatores contribuintes:o julgamento de pilotagem (15,64%), a supervisão gerencial (12,52%) e o planejamento (10,21%). Esses três fatores somados representam 38,37% dos acidentes aeronáuticos ocorridos entre 2004 e 2013.


Em 2013, foram registrados 163 acidentes aéreos no Brasil,

sendo 140 com aviões e 23 com helicópteros.


E qual a fase do voo é considerada a mais crítica?

Segundo os dados, o pouso representa o maior percentual estatístico, envolvendo quase um terço de todos os incidentes graves.



Todas as fases do voo são de extrema importância e merecem um planejamento prévio muito bem elaborado: avaliar as condições meteorológicas, planejar a rota, efetuar o pré-voo da aeronave e acompanhar o abastecimento são alguns dos passos operacionais fundamentais.

E quanto ao fator humano?

Estar bem fisicamente e psicologicamente é primordial. Os fatores humanos (fadiga mental, distração, estresse, ansiedade, falta de conhecimento, elevado grau de confiança, entre outros) são responsáveis por 80% dos acidente fatais, segundo dados da FAA (Federal Aviation Administration).


Certamente você conhece pelo menos um piloto que representa um risco potencial de se envolver em algum acidente, seja pela inexperiência, excesso de autoconfiança,

baixo grau de conhecimento técnico, desrespeito as normas técnicas, descaso com

a manutenção da aeronave, ou, o que é pior, apresenta a soma de dois ou mais fatores desses.


Meu conselho, caro leitor, como quem já esteve na cabine de uma aeronave acidentada (em 2013, durante um voo de check a bordo de um Robinson 22), é que você respeite sempre este trinômio - pilar que sustenta a moderna filosofia do SIPAER: o homem, o meio e a máquina.




Logo-para-fundo-azul-2-img-638030-201907

©  CFT 2020. Direitos Reservados